sábado, 26 de dezembro de 2009

Tem poder na natureza...

A brisa esconde nela
Junto o vôo do beija flor
E os versos do cantador
Que inspiram a coisa bela
Há quem pinta uma aquarela
Com as cores da pureza
E entoando uma beleza
Nas estrofes de cancão
Os sábios de coração
Tem poder na natureza

E entoando a canção
Num vôo de passarinho
O tempo tece seu linho
Quando acaba o verão
Os sábios de coração
Não precisam de riqueza
Verdade posta na mesa
Isso é sabedoria
Um grande sábio nos guia
Com o poder da Natureza

Os sábios de coração
Quando em mesma sintonia
Hoje o sábio que nos guia
No amanhã guiados estão
E com um linho em sua mão
Vão tecendo sua franqueza
Contornando sua grandeza
De que vale idolatria?
Se quem tem sabedoria
Tem poder na natureza

Galdêncio Neto/Maviael Melo

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Infinita Highway

Você me faz correr demais
Os riscos desta highway
Você me faz correr atrás
Do horizonte desta highway
Ninguém por perto, silêncio no deserto
Deserta highway
Estamos sós e nenhum de nós
Sabe exatamente onde vai parar

Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e isto é tudo
É, sobretudo, a lei
Da infinita highway

Quando eu vivia e morria na cidade
Eu não tinha nada, nada a temer
Mas eu tinha medo, medo dessa estrada
Olhe só, veja você
Quando eu vivia e morria na cidade
Eu tinha de tudo, tudo ao meu redor
Mas tudo que eu sentia era que algo me faltava
E à noite eu acordava banhado em suor

Não queremos lembrar o que esquecemos
Nós só queremos viver
Não queremos aprender o que sabemos
Não queremos nem saber
Sem motivos, nem objetivos
Estamos vivos e é só
Só obedecemos a lei
Da infinita highway

Escute garota, o vento canta uma canção
Dessas que uma banda nunca canta sem razão
Me diga, garota: será a estrada uma prisão?
Eu acho que sim, você finge que não
Mas nem por isso ficaremos parados
Com a cabeça nas nuvens e os pés no chão
"Tudo bem, garota, não adianta mesmo ser livre"
Se tanta gente vive sem ter como viver

Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde quer chegar
Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos pra estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte dessa highway
Silenciosa highway

Eu vejo um horizonte trêmulo
Eu tenho os olhos úmidos
Eu posso estar completamente enganado
Eu posso estar correndo pro lado errado
Mas "a dúvida é o preço da pureza"
É inútil ter certeza
Eu vejo as placas dizendo
"não corra, não morra, não fume"
Eu vejo as placas cortando o horizonte
Elas parecem facas, de dois gumes

Minha vida é tão confusa quanto a América Central
Por isso não me acuse de ser irracional
Escute garota, façamos um trato:
Você desliga o telefone se eu ficar muito abstrato
Eu posso ser um Beatle, um beatnik
Ou um bitolado
Mas eu não sou ator
Eu não tô à toa do teu lado
Por isso garota, façamos um pacto
De não usar a highway pra causar impacto

Cento e dez, cento e vinte...
Cento e sessenta
Só prá ver até quando o motor agüenta
Na boca, em vez de um beijo,
Um chiclet de menta
E a sombra do sorriso que eu deixei
Numa das curvas da highway

Poeta Humberto Gessinger

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

[Estações – Inverno]

O que diria o verão com a chegada do inverno,
Acabaria este inferno, dentro do meu coração?

E na terra, inda seca, pra ficar molhada
Chovesse, derramando-lhe com rigor
Extraordinárias gotas de chuva, pesada
E de outra nuvem, lenta, carregada
Brotasse um poema iluminado de amor?

Eu não suportaria a saída
Desse imenso precipício!
Mas, porque desde o início
Essa força tão entranha
Leva-me aos montes
Mais altos e verdejantes?

Se me fazes temer o abismo,
Diz-me porque tanta coragem
De seguir esse longo caminho
Tocando a minha viagem...

Talvez eu soubesse a razão...
Ser, a dita felicidade,
O meio e não o fim
De tudo que há em mim.

E contigo eu vivo, sempre
Sorvido pela paixão...
Gigantesco, tal o oceano
De muitas praias belas
Que vivem em solidão.

Receber de caudalosos rios
A água doce da chuva
E causar-lhe um destempero

Uma poesia interrompida
Pelas quebrantas da praia...
Do que houve em nós

E o que nunca aconteceu
Não é o sonho que morreu
É a morte do sonhador,
E o pranto das virgens todas.

É quando uma lágrima salta
Sentindo o abraço que falta
Que a tristeza se aproxima...

E nos traz de volta a vida
Numa grande inundação
Último ato da estação.

A constante fonte de luz,
Será depois da partida
Essa distância sem valor,
Que nos dá esse penar.

Só depois da despedida
Tudo há de começar
E compreenderás a dor.


Já é chegado o momento
De te falar do sentimento
Que nunca há de acabar

Em nós novamente soar
A música do nosso amor.
Lembrada daquele vento...

Pedro Torres

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Meu amor

Nas últimas brisas deste verão
Vim aqui neste verso, soprando
Ecos de um coração tão mais árido
Aprendendo a reconstruir as palavras
Pois é tempo de sair pra voar, passarinho

Alegres momentos às margens do rio
Nem a mais singela melodia irá tocar
Levanto a cabeça após um leve pranto
E começo a voltar de um breve vôo

Retornando, retomando, a nossa conversa
Antes interrompida, de eu com saudades
Agora um pouco mais sábio e mais velho

Aprendizes na mesma jornada, e o professor
Um leal principiante e aquele poço de insensatez
Tão lúcidos na mata, ambos, o guia e o pecador

O agonizante inerte sorriso de um espantalho
Que gira em volta de si e nada espantador
Ingressa a cena em minha mente e o peito meu
Se desfaz em mil pedaços e cada um deles, teu

A chuva então bate no chão, principiando a invernada
Num eterno instante, de um poeta regressando
E minhas frases vulgares de miséria e dor
Vão-se nas asas de um novo dia, de vida...

Onde exatamente que ficaremos juntos?
Encontro minha luz, esperança e a força em ti
E renasce o poeta, lá daquelas altas serras
Meu orgulho, minha fortaleza, meu refúgio.


Pedaço de mim.

Pedro Torres

domingo, 20 de dezembro de 2009

Em nome dos repentistas

Vejo que a profissão
Não está reconhecendo
Nem meu talento está tendo
A justa admiração
Vou do agreste ao sertão
Com meu trabalho rimado
Jamais demonstrei enfado
À minha musa querida
Quanto mais canto na vida
Menos dinheiro arrecado!

Em inúmeros festivais
Já demonstrei meu valor
Sou legítimo cantador
Honrando os meus ancestrais
Só peço uma coisa a mais
Aos secretários de Estado
Dêem o valor esperado
Que a arte quer ser ouvida
Quanto mais canto na vida
Menos dinheiro arrecado!

“Pé-de-parede”(*) somente
Não dá pra sobreviver
Cantador precisa ter
Mais incentivo da gente
Que ouve, admira e sente
O repentista inspirado
Pois sendo patrocinado
A rima sai mais polida.
Quanto mais canto na vida
Menos dinheiro arrecado!

Mote: Abílio Neto.
Glosas: Wellington Vicente.
Porto Velho, 10/12/2009.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Natal de Jesus

Ah, se os homens compreendessem,
o sentido real do Natal,
se todos se amassem com igualdade,
tivessem o amor, a caridade,
o mundo não seria tão desigual.

Natal, é quando você ora,
quando dobra os joelhos e chora,
as lágrimas do seu irmão,
que passa por você e mendiga,
um teto, um pedaço de pão.

Natal, é nascer todo dia,
é doar-se em gestos de amor,
é ser o sol que aquece,
ao irmão que adormece,
sem teto e sem cobertor.

Natal, é ser o acalento,
da criancinha faminta,
que lhe estende a mão,
com os olhos marejados,
ela suplica calada,
um pouco do seu amor.

O Natal, é todo dia,
quando se dá alegria,
quando você é uma luz,
iluminando os caminhos,
de todos os seus irmãos.

Natal, é viver plenamente,
em comunhão com Jesus,
Natal, é ajudar seu irmão,
à carregar sua cruz,
esse é o Natal verdadeiro,
é esse, o Natal de Jesus.

Valmir Andrade é jornalista e poeta.
Seu portal de notícias: http://www.valmirandrade.com

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu

Mergulhei nos sargaços da vida,
Mas não tive retorno, só ida.
Embriaguei as palavras no mel,
Recebendo a desgosto o fel.

Fiz dos sonhos intensa labuta,
Mas não adiantou tanta luta.
Tão somente percebi teu véu,
Pois choravas vagando ao léu.

Entreguei minha vida no todo,
Afoguei as lágrimas no lodo.
Dialoguei com deuses e fui profeta,
Descobri eu nada sou, nem poeta.

Poeta Josimar Matos

Metades

Se nao soubesse o teu nome
Perguntaria ao vento
Pra compor a melodia
Do meu pensamento.

E sentiria teu cheiro
Nas flores da primavera
Aumentando mais a dor
Dessa longa espera.

Voar nas asas do sonho
E ver o ANJO a bailar
Lembrar do elo perdido
Expulsar do peito a dor sem lamentar.

Mas nao consigo enxergar
A vida sem tua presença.
Descortinar, a insensatez do destino
E descobrir as marcas do nosso passado

Vou embarcar solitário
No vagao do imaginário.
A viajar pelas estradas do tempo
E procurar pelo poeta; metades

Poeta Josimar Matos

sábado, 12 de dezembro de 2009

Ciúme da água

Água de bonitas cores
Com seus profundos rumores
Me diga de onde vem
Nessa via tortuosa
Cada curva perigosa
Solitária e espinhosa
Mas sei que você quer bem

Aqui não conhece nada
Mas não errou a estrada
O seu caminho está certo
Diga que você não erra
Me diga se viu na serra
Uma casinha de terra
Inspiração do deserto

Oh água aquela casinha
Foi propriedade minha
Consolo da minha mágoa
Hoje vivo na cidade
Soluçando de saudade
E por curiosidade
Venho perguntar a água:

Naquela casinha habita
Uma mulher tão bonita
Um corpo de mãe Joanina
Muito linda, de cintura
Cor morena, boa altura
O seu olhar se mistura
Com o verde da campina

Nas escondidas da gruta
O seu perfume disputa
Com o perfume da flor
Não a esqueço um momento
Devido ser ciumento
Faço guerras contra o vento
Pra não roubar seu amor

Oh água estou com ciúme
Você tem o perfume
Do lago que ela é banhada
Por favor, me diga ao menos
Se esses peixes pequenos
Viram os seios morenos
Do corpo da minha amada

Sei que você todo dia
Beija e acaricia
As curvas do corpo dela
Proibir não adianta
Quando ela se levanta
Aquela cascata canta
Para apaixonar a ela

Aquela voz de piano
Intrusa do oceano
Não para pra descansar
Água você é correio
Que não dispensa o alheio
Abraça quem está no meio
E leva de presente ao mar

Minha esperança se esconde
Pois a água não responde
As tais perguntas que fiz
Ficou foi mais orgulhosa
Água forte, ambiciosa
Só você é poderosa
E só eu que sou infeliz...

Poeta Daldeth Bandeira

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Pressa dessas

Céu de anjos, do bem e do mal
Cobrem a cidade e tudo passa
Rasga-se a cena até que cessa
A bela cena de um ancestral

E saber que o sol fulgente ao alvorecer
Será o mesmo que viveu e morreu inda hoje
Virá a cada manhã, até sem unção de caboje
Negar o que há de vir é não amanhecer

Da pressa que incomoda os miolos
De todos que se prestam a pensar
Em ver pedras removidas do lugar
Das quebras indevidas de tijolos

A rasga-mortalha que rasga o céu
Da noite, guardiã de obscuro véu
Chega a doer tanto sentir dores
E chorar migalhas de teus amores

Desfeitos, por tão malfeitores
Vezes tanto, do saber, doutores
E não conhecem dos corações
Do sal da lágrima, nas aflições.

Rapina de hábito noturno
Que não come coturno
Tampouco a corda miúda
Daquele que não a saúda

Seja reles fartura de ratos
Dos esgotos e, já fartos,
Reúnem-se ao claro diurno
A altercar-se em outro turno.

Pedro Torres

Fogaréu

Luz que acende e candeia que não apaga
Não consome, não turva, não embriaga
Desértico inóspito acolher da ausência.

Paixão com fome, viver tua sede
Beber teu néctar, lamber tua nuca
Fundir a cuca, e apaixonar-se definitivamente

Um abrigo amigo, um teto, e tua teta
Alcançar a imaginação tua, atear o fogo
E vir teu rosto rubro, feminino, nua...

A preferida entrada triunfal do destino
Coabitarmos, Cópula, Frutos, Filhos
Plural do amor meu.

Pedro Torres

Alegorias

Minha alegria em terças tardes de carnaval;
Fome de morango, apetite de rua
O cheiro e o sabor da fruta, comemos...
Sua vez, a cor da lua chegando à tua
Fazes do que nos sondava.

Caminho de luz, antes avistado,
Teu beijo gostoso e demorado,
Que tudo toma aquebrantado.
Meu oriente, minha sorte,
O ocaso do acaso, meu norte!

Desejo de viver além da morte,
De em si renascer, inda tão forte
Quedar-se nos teus braços e abraços
Que me perdem, e que me acham aos pedaços
Das partes absolutas e simpáticas!

Ah! Quem dera, se o pouco nos desse
Bastar poemas de amor, e nunca cesse
Se da espera nada mais além restasse
E nós, em encontros, jamais indagarmos
De tudo, um ao outro, do que ficou...

Da sombra que nos seguira sob um sol
Que aprendemos a admirar, de tão quente...
Da vida, que aprendemos a amar, somente
Desejo de viajar, e concluir: Porque barcos,
Se nos oferecera oceanos, de não navegar?!

O carnaval, e tudo mais amor seria,
Dormir?! Se ali não existiria mais sonhos...
Acordando-nos em brasa, às luzes do dia
Do rei, do nosso céu, outrora fendido...
Ora calados, ora descortinados, revelados...

Acontece, amor acontece! Em tanto mar...
Conhece de amar o veludo, a seda e tudo
Vê se aparece em tempos, e nos renovar
Que sinto saudade do olhar teus olhos, olhar...
A claridade que irradias, do teu eu mais denso.

Atearmos o fogo e eu, só em ar flamejar
Às ciências marginais de uma calheta acometemos
E, crus, comemos os mariscos, resistentes...
Ficamos contentes, alegres, de até dentes
Mostrar os temperos secretos, de ais e ais...

E, dançando, o cheiro vermelho de sangue
Admirarmos a imagem nua, outro espelho
Avaliamos certo momento, muito bom.
Que seria a lágrima mais verdadeira?! Se...
Doces os momentos de inebriantes sais.

Festejos à nossa ordem, e beijos!
Que esperaria o poeta triste
Se nada além da vista existe
Morrer de amor fora simples lampejos
De desejos ainda, e tudo...

Se sem teus olhos não me vejo
E te vejo em cada olhar meu
Que seria então dessa minha virtude
De amar mais ainda, que não pude
Para preservar os carinhos teus.

Breve, reside nas retinas nuas
Em um momento iluminado, vais
E tudo de mais belo em nós
Uma luz brilhante de vida,
Daquela janela do quarto, vimos ...

Pedro Torres

sábado, 26 de setembro de 2009

Magnífica prospecção do Poeta Josimar Matos

Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.

(Mote do poeta Felisardo Moura)

Um pequeno vivente exilado
Canta o solo agrural da orfandade
No pequeno calabouço da saudade
Uma lágrima, no canto afinado
Lembra o laço que o tornou destronado
Do seu reino, velho angico altaneiro
Dos filhotes, não sabe o paradeiro
Um covarde caçador desfez seu ninho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro


Vá na mata , sinta o cheiro da ramagem
O olor das flores, seu verdume
As abelhas doidivanas, no costume
Um regato cristalino, bela imagem
Borboletas multicores em passagem
Pergunte lá; se está tudo prazenteiro
Se, sem musica, sem cantor, isto é certeiro
Fauna e flora lhe responde: é só espinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro


Sob o visgo da covarde armadilha
De um covarde que não teve coração
Mente má que semeia escuridão
Mão cruel que apaga a luz que brilha
Que descarta a liberdade da cartilha
Que despreza o que disse o conselheiro
Ainda há tempo se arrependa companheiro
Deixe o menestrel voltar pro seu cantinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro


Quem não fez nenhum crime, o que merece?
Sem juízo, viver posto na prisão?
Pegar pena perpétua, sem razão?
Então, o que quer que ele confesse?
Se o homem é o rei, por que se esquece?
Que liberdade, só presta por inteiro
Que esse bicho pequenino é o curandeiro
Dos que sofrem na mata sem carinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.


O pentagrama natural da mãe natura
Sente a falta das notas do cantor
Quando em solo delirante, o torpor
Invadia tudo em sua tablatura
O compasso da pequena criatura
Fez-se pausa no tempo, em tempo inteiro
Em exílio eternal do seu terreiro
Melancólico, canta então pobre bichinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.


Um corista está faltando no coral
A sinfônica sente a falta do cantor
Sente a flora, o gorjeio que faltou
A cantata de então não é igual
Sua falta faz falta no festival
Se perturbe, se comova carcereiro
Quebre as talas, abra a porta do viveiro
Deixe a mata ter de volta o cantorzinho
Toda vez que se prende um passarinho
Diminui na floresta um seresteiro.


Poeta Aluisio Lopes
25 de setembro de 2009

Prospecção do Poeta Josimar Matos, de São José do Egito, que garimpou este diamante de infindáveis quilates, com intensidade e vigor incontestáveis.

Devemos celebrar este momento com todos, Felisardo Nunes pelo felicíssimo Mote, ao Poeta Aluísio Lopes por sua generosidade e genialidade, bem como, ao Poeta Josimar Matos, pela sensibilidade Poética em selecionar dentre tantos Poetas magníficos desta terra fantástica que é o Sertão Nordestino do Brasil, neste caso particular, o Pajeú e o Cariri.

Sinceras homenagens!

Pedro Torres

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Silêncio de uma noite...

Escuta também esse som
E fecha comigo os olhos.
Este silêncio que nos alicia,
Parece dizer-nos qualquer notícia
Daquele poema que escrevemos juntos
Em pensamentos, na beira do mar...

As ondas faziam um barulho imenso
E como era intenso o nosso carnaval...
E nesse mesmo verão, só nós rimos
De tudo, choramos até, depois de tudo vimos!
Ora, de olhos bem abertos, e que lindos olhos tens...

Mas, lembra-te daquela frase que te disse antes?
Tal o negrume daquele céu estrelado
E a brisa suave a levar o resto do dia,
Vindo a noite, e então confiantes...
Nunca deixamos de ser figurantes,
E mais que nunca, fomos únicos,
Amantes!

Pedro Torres

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Meu nove pitagórico

Porque pão rima com não?
Porque amigo rima com inimigo?
Porque banquete rima com cacete?
Porque frechau rima com tchau?
Porque amor rima com dor?
Porque solidão rima com coração?
Porque vazio rima com desvario?
Porque saudade rima com liberdade?
Porque paixão rima com desilusão?
Porque dormir rima com partir?
Porque covardia rima com poesia?
Porque distância rima com infância?
Porque sorriso rima com siso?
Porque abismo rima com companheirismo?
Porque a imensidão rima com extensão?
Porque par rima com amar?

Gostaria que sempre olhasses pro infinito
À assistir estrelas como dantes o fazias
Não fazer como disse o poeta em poesias
Ver nelas lágrimas ao anoitecer tão bonito

O sol, a lua e três sóis distantes. Eia, rimam!
E lá Júpiter e Saturnol Planetas não brilham.
Disse-me tu, ter sido um teu diferente olhar
Vez, que o céu te prostasse a bem admirar...

Não procuras o poeta brilhando em cima.
Cuida-se amor, aquece o corpo do clima...
Estarei sorrindo a cada agasalhar-se seu,
Pois saberei seguistes um conselho meu.

Só queria ver um sol, amanhecer contigo
Ou, num dia chuvoso trocarmos segredo
E pular na imensidão do amor sem medo
No abismo do teu olhar encontrar abrigo

Dormirmos conforme dissera, de conchinha
Saber que não te sentirias, assim, sozinha
Ver aquela luz e crer seria inda bem cedo
E nem devêssemos sair da cama e olvidar...

Porém, quem creria dos dentes do mundo
Cativa teu oficio, devolve teu Talento mais
Cumpre o mundo, sem te arreliar do vento
Apruma tuas velas se segue este momento

Meu nove pitagórico...

Pedro Torres

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Saudade coagida...

Vi meus pesadelos caminhando acordado
Arremessei o tapete de um valioso aroma
Vil poeira de estrelas imaginara em Roma
Soberano de cicatrizes dum escravo Dado

No inicial poema que escrevera aguerrido
Poeta que findou tarde por tardar havido
Tudo que lhe restara, seu coração partido
Correntes circulares de um pano eia caído

Mera quimera daquela fera, que me dera
Esquecido, mais que houvera acontecido
Restar-lhe-ia considerar o criado nascido
O forte miolo a lhe acenar à central terra

A nuvem lhe escureceria o dia mais bonito?
Fiéis e inseparáveis do amor, enternecido
Juraste não deslembrar, que o prometido...
Se não fosse absorvo do meu posto finito.

Terias então um ponto final definitivo ido?
Do pulha que ralha por paixão, promovido...
A roubar a arte das pessoas sublimes, Eia!
Ignorando a luz que tudo em nós é candeia.

Na distância, a vida nem é vida
Só conheço a vida em teus braços.
A saudade parece até mais doída,
Forçado a ficar sem teus abraços...

Pedro Torres

Mais Um Ano de Saudade

Vinte e um me chegaram
É mais um ano que passo
Sem teu beijo e teu abraço
O que vou comemorar?
Que graça tem esta data
Que já me foi importante
Mas por tu estar distante
Não tenho o que festejar

Eu rejeitei os convites
Que muitos tinham me feito
Rejeitei por que no peito
Trago uma dor sem tamanho
Dor essa de tão gigante
Me fez deixar de beber
E agora passo a viver
Como eu num ser estranho

Eu sei que não sou o mesmo
Que vivi de cana e festa
Pois a minha vida é esta
Cheia de dificuldade
Eu que fui tão sociável
Prefiro viver sozinho
Igualmente um passarinho
Que perdeu a liberdade

Parabéns de que? pergunto:
Parabéns por mais um ano
De tristeza e desengano
Que passo nesse lugar,
Por que não os pêsames?
Pois cada ano que avança
Vai morrendo a esperança
De quem jurou te amar

Poeta Welton Melo

Parabéns, Poeta!

Não tão somente pelas vinte e uma primaveras, que talvez desejastes compartilhar das flores os odores, caminhando e sentindo as dores, dos espinhos do caminho, talvez por caminhar sozinho, sentindo os espinhos dos amores, perfurando teus pés desnudos, e sangrando neste estradar poético, alimentando a Terra, tenhais certeza, poeta, das fecundas brenhas da mãe da lua, surgirá de repente aquela alma nua, e num sorriso sincero te partirá em dois, te dirá: Sou somente tua! E sentirás um profundo rancor, e saberás que teria sido, talvez, ter morrido antes, de conhecer o amor...

Forte abraço, que Deus continue a iluminar a tua vida!

Pedro Torres

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Vida!

Não falo mais da cor do amor em meus poemas
Minha rima foi tolhida pela inveja e traição
Por almas pequeninas que desaprenderam a poesia
Renasci um poeta morto, e morto vivo todo dia

Minha queixa dói em mim, quem sabe sintas, enfim
A tristeza que carrego, transporto para este verso
Sem ligar pra o ritmo do poema que soa adverso
Ao que deveria ser, curativo para um aflito coração

É tão íntimo o meu pesar, que gostaria de estar
Como um toreiro na arena, sem espadas, sem lugar
Abrigo para que pudesse o bravio touro, me acertar
Com seus chifres afiados, de uma vez me trucidar

Viver sem a linha do meu poema, dilema, problema...
Não vale a pena, às vezes pensei até em me mudar.
Virar poeira de estrelas, voltar aos antepassados
Quando penso no recado, dito com sabedoria, lindo.

Pensar em mim dessa forma, sem dúvida é amar
Querer esquecer-me e não dizer-me que abandonar
A idéia hipócrita dos que, sãos por suas convicções...
Sem dúvidar? Nem que seja noite, e todas as constelações

Sejam lágrimas de uma linda criatura que me falou
Acreditar já me basta, sentir saudade me rasga
E rasgado exponho todo o meu interior, e só bem vê o amor
Que há no peito meu, e de quem me disse querer, talvez

Se não foi desta vez... Ninguém muda o destino
E quem de nós em desatino, um de nós estará lá
Em um abraço demorado, daqueles que cura a alma
Traz sossego, paz, sara tudo e acalma...

Minha Vida...

Pedro Torres

Cancão III

O sol além se deitava
A sua luz se esvasava
Pela ramagem da horta
A brisa, em leves ruídos
Levava os ternos gemidos
Da tarde já quase morta
(Depois da Chuva)

João Batista de Siqueira
Cancão

Cancão II

As águas silenciosas
Vão rolando preguiçosas
Lá das colinas lodosas
Se despenham sem alarde
A aragem sertaneja
Sobre a paisagem que beija
Mansamente rumoreja
Por despedida da tarde
(A Borborema)

João Batista de Siqueira
Cancão

Cancão I

O sol, em nesgas vermelhas
Vai atravessando o mangue
Aquelas rubras centelhas
Parecem feitas de sangue
E o celeste vulcão
Numa santa erupção
Na montanha ainda arde
Seus derradeiros lampejos
São eles restos dos beijos
Enfraquecidos da tarde
(Crepúsculo)

João Batista de Siqueira
Cancão

Biu de Crisanto II

Da visão desta janela
Eu vi os sonhos perdidos
A vida passou por mim
Causando dor e gemidos
E a esperança morreu
No vale dos esquecidos.

O mundo esqueceu de mim
Neste cubículo imundo
Onde mergulhei nos livros
Hora minuto e segundo
E fiz diversas viagens
Pela vastidão do mundo.

Não esqueço um só segundo
Dos dias da mocidade
Mas o tempo me roubou
Da vida mais da metade
Restando só amargura
Tristeza, dor e saudade.

Biu de Crisanto

Biu de Crisanto I

Dúvida

Nasci! De onde vim é que não sei,
Enfim, também não sei para que vim,
Se vim para voltar para que fiquei
Neste intervalo de incerteza assim?

Não foi do pó fecundo que brotei,
Não sei quem tal missão me impôs a mim,
O acaso não foi, já estudei...
Desta incumbência desconheço o fim.

Sou a metamorfose das moneras
Desagregadas nas primeiras eras,
Reunidas hoje nesta luta infinda.

Sou a passagem irreal da forma
Submetida aos desígnios da norma,
Do meu princípio não sei nada ainda.

Biu de Crisanto

Lourival Batista II

Eu já não suporto mais
Do tempo tantas revoltas
Prazer, por que não me prendes?
Mágoa, por que não me soltas?
Presente, por que não foges?
Passado, por que não voltas?

Lourival Batista

Lourival Batista I

Do gosto para o desgosto
O quadro é bem diferente,
Ser moço é ser sol nascente,
Ser velho é ser um sol-posto,
Pelas rugas do meu rosto
O que eu fui, hoje não sou,
Ontem estive, hoje não estou,
Que o sol ao nascer fulgura,
Mas ao se por deixa escura
A parte que iluminou.

Lourival Batista

Jó Patriota IV

Frágeis, fragílimas danças
De leves flocos de espumas


Na madrugada esquisita
O pescador se aproveita
Vendo a praia como se enfeita
Vendo o mar como se agita
Hora calmo hora se irrita
Como panteras ou pumas
Depois se desfaz em brumas
Por sobre as duras quebranças
Frágeis, fragílimas danças
De leves flocos de espumas.


Jó Patriota
Mote: Raimundo Asfora)

Jó Patriota III

PASSA TUDO NA VIDA, TUDO PASSA,
MAS NEM TUDO QUE PASSA A GENTE ESQUECE


Passa o dia por mês e mês por ano
Passa ano por era, era por fase
Nessa fase tão triste eu vejo a base
Do destino passar de plano em plano
Com a mão da saudade o desengano
Passa dando um adeus fazendo um S
Vem a mágoa o prazer desaparece
Quando chega a velhice, foge a graça,
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece.


Jó Patriota

Jó Patriota II

Ilusões, sonhos, quimeras, amores,
tudo tive na minha mocidade,
mas o tempo na sua tempestade
faz dos dias o que faz com as flores.

Fiz das horas os meus elevadores,
pra subir a montanha da idade,
de cujo cimo fitando a imensidade,
eu pensava viver com os condores.

Nessa triste ascensão de amargas horas
vi crepúsculos ao invés de ver auroras,
à velhice cheguei aos solavancos.

Nem mais vestígios das primeiras cenas,
por lembrança de tudo herdei apenas
branca coroa de cabelos brancos

Jó Patriota

Jó Patriota I

TUDO QUANTO EU SOFRER NA MINHA VIDA
SÓ ME QUEIXO DA TUA INGRATIDÃO


Eu pensei que tu eras inocente
Como a Virgem quando foi anunciada
Por mim mesmo tu foste comparada
Com a estrela Dalva refulgente
Que guiou os três reis do Oriente
A visita do Pai da Criação
Mas agora provaste a revelação
Que tiveste comigo foi perdido
Tudo quanto eu sofrer na minha vida
Só me queixo da tua ingratidão.


Tu de falsa roubaste o meu amor
Tu não tens coração mulher ingrata
Teu fingir cada vez mais me maltrata
Mais eu sofro, mais gemo, tenho dor
Se ao menos não fosse um cantador
Não conhecesse saudade nem paixão
Pois quem é desprezado sem razão
Perde até o direito da dormida
Tudo quanto eu sofrer na minha vida
Só me queixo da tua ingratidão.


Jó Patriota

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Longe do Meu Lado

Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Se a paixão fosse realmente um bálsamo
O mundo não pareceria tão equivocado
Te dou carinho, respeito e um afago
Mas entenda, eu não estou apaixonado
A paixão já passou em minha vida
Foi até bom mas ao final deu tudo errado
E agora carrego em mim
Uma dor triste, um coração cicatrizado
E olha que tentei o meu caminho
Mas tudo agora é coisa do passado
Quero respeito e sempre ter alguém
Que me entenda e sempre fique a meu lado
Mas não, não quero estar apaixonado

A paixão quer sangue e corações arruinados
E saudade é só mágoa por ter sido feito tanto estrago
E essa escravidão e essa dor não quero mais
Quando acreditei que tudo era um fato consumado
Veio a foice e jogou-te longe
Longe do meu lado

Não estou mais pronto para lágrimas
Podemos ficar juntos e vivermos o futuro, não o passado
Veja o nosso mundo
Eu também sei que dizem
Que não existe amor errado
Mas entenda, não quero estar apaixonado

do Poeta Renato Manfredini Jr.

Covardia?!

Hoje cheguei ao inferno e até
Julguei que tudo foi pro inverno
Certo ou errado, não importa
Deixei o amor invadir a porta
Expus minhas chagas em vão
Deixei aberto o meu coração

Vi colocarem sal em minha ferida
E pela janela ser destruída a vida
Que acreditara um dia ter vivido
Não vale a pena ter tudo sentido
Saí da luta de amores combalido

Explorando com um cão vadio
Sentir de novo o maldito vazio
Não suportaria caminhar o fio
Da navalha afiada do caminho

Que o verso encurta, esvai-se
Areia movediça que se move
Ao poeta de coração pedrado
Do amor que nunca quebrara...

Uma estação restava ainda a compor
Faltava aquele do inverno, meu amor
Onde seria fartura, criatura, das flores
Eram tudo frutos doces, ora quebrados.
Covardia, onde?!

Pedro Torres

Depois do Começo

Legião Urbana
Composição: Renato Russo
Vamos deixar as janelas abertas
E deixar o equilíbrio ir embora
Cair como um saxofone na calçada
Amarrar um fio de cobre no pescoço
Acender o intervalo pelo filtro
Usar um extintor como lençol
Jogar pólo-aquático na cama
Ficar deslizando pelo teto

Da nossa casa cega e medieval
Cantar canções em línguas estranhas
Retalhar as cortinas desarmadas
Com a faca surda que a fé sujou
Desarmar os brinquedos indecentes
E a indecência pura dos retratos no salão
Vamos beber livros e mastigar tapetes
Catar pontas de cigarros nas paredes

Abrir a geladeira e deixar o vento sair
Cuspir um dia qualquer no futuro
De quem já desapareceu
Deus, Deus, somos todos ateus
Vamos cortar os cabelos do príncipe
E entregá-los a um deus plebeu

E depois do começo
O que vier vai começar a ser o fim [3x]

E depois do começo
O que vier vai começar a ser

Poeta Renanto Manfredini Jr.

Sonho perfeito

Acordei com seu gosto e me lembrei do seu rosto.
Tão limpo e transparente que me fez acreditar que as coisas podem ser como a gente quer.
Tão sincero que me fez acreditar que a vida é bela e que o amor é lindo.
Tão puro que me fez acreditar que você pode se apaixonar com um simples toque.
Tão verdadeiro que me fez crer que mesmo que você sofreu com outro, há pessoas diferentes neste mundo e que ninguém é igual a ninguém.
Só que eu acordei, vi que tudo não passou de um sonho acordado e que a vida não é tão perfeita assim.
Lays Silva

Da Verdade

Casais juram perante Deus e à Igreja ficarem juntos para sempre.
Não dura uma semana.
O filho promete a mãe chegar às três da manhã da balada. Chega às sete. Onde está a verdade neste mundo hoje?
Mentiras em casa, no trabalho, no relacionamento. Onde ela está?
Guardada em algum sentimento?
Pessoas dizem a verdade na hora do sofrimento, na hora do desespero, na hora da angústia, na hora do medo.
Por que a verdade não pode estar escondida no amor, na lealdade, na alegria, na fidelidade, na felicidade?
A humanidade, quanto mais feliz fica, mas mentir ela mente. Se o marido fez um gol na pelada, chega em casa falando que fez três.
O jovem chega falando nos amigos dizendo que pegou cinco garotas na baladas, sendo que ele ficou só com uma, ficou feliz com ela e está com ela nos pensamentos.
O namorado diz aos amigos que não está nem aí pra namorada, que quer curtir a vida, sendo que ele a está amando cada dia mais e a desejando como esposa eternamente.
A verdade está cada dia mais oculta, cada vez mais distante.
A sociedade se fechou com a mentira e deixou a sinceridade e a verdade lá fora tomando chuva.
Quando começar a trovejar, eles a colocarão pra dentro.

Lays Silva

Porque do Segredo?

Sabe aquela morena?
Aquela que você vê passando, que conversa com você?
Aquela morena do sorriso bonito?
Aquela que onde passa encanta a todos?
Aquela que dá medo, que dá ansiedade, que dá angústia no peito?
Aquela que dá incerteza, dá amor, que dá ódio?
Aquela que vai te passar raiva e te zombar depois?
Aquela morena dos cabelos longos, quase da sua altura?
Aquela dos olhos pequenos, da boca carnuda e da pele cor de amarula?
Aquela do andar engraçado, da dança divertida e do riso gostoso?
Aquela que é confusa e que te deixa confuso?
Aquela que tem pouca paciência, que fala na sua cara e não tem medo?
Pois então, ela gosta de você.
Mas psiu! Fale bem baixinho, porque ninguém pode ouvir.

Lays Silva

Que Morena...

Aquela morena vai te fazer rir 25 horas por dia, mas vai te dar uma lágrima quando você a machucá-la.
Ela vai te cobrir de beijos e carinhos sem fim.
Ela vai te fazer cócegas, vai morder seu ombro, e pisar no seu pé.
Ela vai te passar raiva, mas logo depois ela vai pular no seu pescoço.
Ela vai te deixar nervoso com uma frase, mas te deixará envergonhado com mil.
Ela vai ter ciúmes. Vai passar ciúmes.
Ela vai gritar pra você. Vai gritar com você.
Vai te passar medo, mas depois vai te mostrar que não houve nada.
Ela vai te pedir atenção. Vai te dar atenção.
Ela vai gostar da sua mãe. Vai gostar do seu cão e papagaio.
Ela vai perder a paciência e pedir que tenha paciência.
Ela vai chorar por você.
Vai sofrer quando você for embora.
Ela vai sentir saudade.
E também vai querer que você suma de perto dela.
Ela vai te fazer homem, menino e amante.
Ela vai te fazer enlouquecer e vai rir de vergonha depois.
Ela vai fazer com que você se sinta especial.
Ela vai fazer você se sentir como um cachorro abandonado na chuva.
Vai te pedir um tempo, mas esse tempo não vai demorar nem um minuto.
E o melhor de tudo?
Essa morena vai te dar amor.
Um amor que você nunca viu igual.

Lays Silva

Humor

Desce, sobe,
Sobe e desce
Sentimentos vão e sentimentos vem
Sobe e desce
Desce e sobe
São misturas variadas, sentimentos complexos
Vai e vem
Vem e vai
Tristeza, alegria
Raiva e melancolia
A vida vai passando
E é sempre assim
Sobe e desce
Desce e sobe

Lays Silva

Céu e Inferno

É tão curtinho o espaço para chegar ao paraíso quanto para chegar ao inferno.
Depende só do que você quer.
E eu quero os dois!

Lays Silva

Coração burro

Coração burro é foda.
Mas se você for pensar, coração inteligente é mais foda ainda.
O coração inteligente vai escolher por quem se apaixonar, vai saber a hora de sair, a hora de entrar, vai escolher a pessoa certa.
Isso pra mim é ser burro, isso sim.
O coração inteligente não vai morrer de amor, não vai sentir aquele frio na barriga esperando ele ligar.
O coração inteligente não vai se sentir como um coração de uma menina de 15 anos com aquela dúvida "será que ele gosta de mim?".
Existe coisa melhor do que morrer de amor?
Se apaixonar, desapaixonar no outro dia, escolher a pessoa errada pra gostar.
Não existe coisa melhor do que morrer de amor, sentir as dores da dúvida, se decepcionar, escutar da pessoa que você gosta "que é melhor para os dois ficar assim".
O coração inteligente escolhe, o coração burro não.
Há tantas pessoas no mundo, há milhões, perto ou longe, perto principalmente.
Mas o coração burro escolhe aquela pessoa que está mais longe pra fazer seu coração bater mais forte, aquela que você vai demorar a ver, aquela que você não pode se falar todos os dias, aquela que o sorriso está longe, aquela que a dúvida é mais constante do que a nuvem que está em nossas cabeças.
O coração inteligente não faz isso.
O coração inteligente vai escolher aquele seu vizinho, aquele que você vai ter certeza de que como será o seu futuro (e que futuro chato, né?).
E me diga uma coisa: Que graça tem isso?
É, prefiro meu coração burro, lerdo e cego.

Lays Silva

Paixão?

Paixão?
Eita buchinha que dói.
Quando se está apaixonada dói dentro, dói fora.
Dói a alma, dói o coração, dói a cabeça, dói na vida.
Paixão dói e não é pouco não.
Paixão fere, paixão exala sofrimento, exala alegria e tristeza.
Tristeza de não estar perto, tristeza de não poder sentir.
Paixão fere, deixa marca.
Temporária, mas deixa.
Paixão dá raiva, paixão dá nervoso, paixão dá vontade de sumir, aparecer, correr atrás, se esquivar, se esconder, vontade de chorar.
É! Ela dói viu...

Lays Silva

Exceção

Ele é xucro e fala manso como roceiro.
Ele é rústico e machista.
Ele é sem educação quando quer e um doce (quando quer também).
Ele pisa, joga na parede, não liga, é ignorante e estressa fácil.
Ele pega todas, é micareteiro, e festeiro.
Curte uma cerveja como um bom brasileiro e um uísque como um inglês.
Ele gosta de mato, de estrada e de asfalto.
Gosta de loira, morena, ruiva.
Gosta de rave, moda de viola e um axé, mas não dispensa uma boa cama e um ar condicionado ligado.
Gosta de sol, praia, badalação, mas não dispensa uma pescaria.
Carro é sua paixão, mas uma boa moto lhe deixa louco.
É responsável, esforçado e estudioso.
Carinhoso com quem quer.
Não mede palavras.
Ama a família mais que a ele mesmo.
Pensa no futuro.
Vive o presente.
Mas ele é burro.
Burro e besta.
Porque todo mundo vê o quanto sou apaixonadinha.
Menos ele.

Lays Silva

Novela

Hoje parei para pensar: Como será um homem apaixonado?
Porque existem vários por aí, mas àquela definição clássica, como nos livros, como a humanidade tem sobre a mulher, não existe sobre o homem.
Mas por quê?
Eles são diferentes?
Especiais?
Retardados?
Ou simplesmente, indefinidos?
Para os bons olhos de uma redes ser humana (a que lhe escreve esse singelo texto) vi que há três tipos de apaixonados.
Aqueles que parecem uns otários.
Quando estão apaixonados riem de tudo, falta só colocar um chapéu de palhaço, um nariz de palhaço e sair correndo mil léguas só pra provar sua paixão.
Homens desse tipo são fáceis de ser descartados porque as mulheres sentem medo.
Medo de se envolverem com um palhaço, dormirem com um palhaço e acabarem se tornando PALHAÇAS.
Palhaços não?
Há também aquele tipo calado.
O cara ta se rasgando de amores pela mulher, quase morrendo, chorando dias e noites, mas não fala nada.
A beija como se fosse a última vez, faz amor como se fosse morrer no próximo minuto, mas não confessa sua paixão nem por um decreto presidencial.
Homens assim também correm o risco de perder as pessoas mais importantes e especiais que aparecem na sua vida, simplesmente pelo fato de NÃO FALAR.
Talvez a mulher esteja completamente apaixonada por ele, demonstrou, mas cai fora porque ele escondeu.
Burro não?
Há também, para finalizar, aqueles homens "quase perfeitos".
No primeiro momento se declaram para a amada.
Não vou incluir flores e uma serenata de violões porque já é demais.
Mas assim que ele sente que está apaixonado, chega a sua amada e diz o que sente.
Se for recíproco, ótimo, são felizes para sempre (mentira, até quando durar a validade ou alguma vaca aparecer), mas se não for, ele entende perfeitamente e segue sua vida até procurar sua nova paixão.
Homens assim são raros no mercado.
Resumindo, só em novelas e filmes mesmo.

Lays Silva

Ufa! Liberdade...

Liberdade é quando você pode sentir que está no céu e na terra, no sol e na lua, no paraíso e no inferno, em um só momento. Naquele momento em que seus braços se abrem no despenhadeiro desconhecido, na cachoeira descoberta, na praia desejada, na rave planejada, no país sonhado.
Liberdade é poder fechar os olhos e sentir o cheiro novo da vida, o cheiro da conquista, da realização.
Você se sente liberto, se sente livre, se sente realizado. Liberdade é você se sentir novo. Liberdade é
Você olhar para o lado e ver que tem alguém que te acompanha nisso.
Alguém que vai abrir os braços com você, alguém que vai beber até cair no primeiro boteco de esquina, alguém que vai para aquela micareta furreca com você, alguém que vai enfrentar mil quilômetros só por causa de um show irado.
Liberdade não é ser sozinho.
Ter liberdade não é estar sozinho.
Liberdade é ser livre pra poder voar e poder dividir isso como os passarinhos que andam milhas e milhas sempre juntos.
De que adianta ser livre, se não puder dividir essa alegria com alguém?

Lays Silva

Amor verdadeiro

Sempre esperei por algo ou alguém que estivesse aos meus olhos.
Sempre esperei por algo ou alguém que me completasse por inteira, e que um dia terminaria esta incansável busca da perfeição.
Encontrei você.
Que veio de tão distante que tocou na minha vida, mas nem sequer tocou em minha pele macia.
Que não tem muitos pontos em comum e nem me completa por inteira, mas foi com você que eu descobri que isso não é preciso.
Não é preciso completar, pois tudo que já está completo já não faz mais sentido.
Com você, busco todo dia pela perfeição e não espero encontrá-la nunca.
O meu amor é real, não é completo e nem perfeito.
O meu amor é somente amor.
Amor puro, amor sem clichês nem scripts.
Amor verdadeiro, amor incondicional.

Lays Silva

Apaixonada

Sentimental ao extremo.
Fria e calculista quando (acha) que deve.
Nervosa, mas com uma dosagem alta de bom humor e disposição.
Romântica no último, mas ás vezes radical.
Insegura até o dedo do pé.
Inteligente e culta, mas com suas demonstrações cotidianas de honra ao jeito goiano de falar.
Esforçada e competente dia de semana.
Desvairada e preguiçosa aos finais dela.
Gosta de uma coca cola gelada.
Odeia ser amante ou escondida.
Quando ama, ama mais que a si mesma.
Quando odeia, o cheiro da vingança sai pelos seus poros.
Não bebe, não fuma e não injeta.
Ânimo e loucura a ponto de bala.
Sempre confie nela, mas nunca espere o mesmo.
Desconfiada, sempre.
Medrosa, quase sempre.
Ela é somente uma menina.

Lays Silva

Entregue

Já declarei todo meu amor a você.
Já provei a você e ao mundo os meus sentimentos.
Papagaio, cachorro e mico leão dourado já sabem.
Pai, vó e mãe também.
Amor declarado.
Amor entregue.
Não amor jogado, amor cuspido, e sim amor mostrado, amor exposto, amor jurado.
Juras de amor, juras sinceras, juras eternas.
O que tinha que fazer está feito.
O que tinha que provar, eu provei.
Usei de todas minhas armas pra provar o meu amor.
Usei de todos os meus sentimentos, inclusive a paciência, pra provar o que eu sinto.
Joguei-os na sua frente.
Joguei-os na sua cara.
Joguei-os para amigos e parentes.
Teve horas que me cansei, mas era só olhar pra você que obtinha forças vindo de onde não sei.
Cai, mas levantei.
Tive vontade de desistir, mas a vontade não foi maior do que eu sinto.
Não que eu seja pretensiosa em fazer isso, mas o meu amor e o meu coração não estão mais em meu poder.
A partir de agora, estão em suas mãos.
E cabe a você saber o que fazer com eles.

Lays Silva

Viver é amar!

A vida é um estado apaixonante.
Incrível a capacidade do ser humano de se apaixonar.
Os carentes se apaixonam mais fácil.
Os durões demoram.
Mas sempre acabam se apaixonando.
Uma, duas, quantas vezes for.
Paixão é um estado de graça que termina em desgraça.
Se nenhuma paixão é pra sempre, se nenhum amor é pra sempre, pra que os textos de Veríssimo, Martha Medeiros, Shakespeare?
Porque eles se encaixam em nosso momento de graça.
Mesmo que depois rasgamos, jogamos fora, mas naquele momento, eles nos fazem sonhar, nos fazem pensar até voar para bem longe.
Logo depois, vem a desilusão, a raiva, o tédio, o choro. "Pra que existe o amor?"
Ficamos pensando constantemente.
Essa é a pergunta que não sai da cabeça dos apaixonados.
O amor existe para crescer, uma experiência.
De nada seria a vida, senão fosse pelo amor.
Tua vida começou com o amor louco de seu pai e sua mãe e com certeza, em vários momentos, eles fizeram essa mesma pergunta "Pra que existe o amor?" E
u sempre misturo paixão com amor pois se apaixonar é amar.
Se deslumbrar é amar.
Viver é amar.
Vivemos apaixonados 24 horas por dia.
Se "aquele" amor não deu certo, "aquele" amor vai servir para que o próximo seja melhor e assim sucessivamente.
A vida foi feita para isso.
Para amarmos e nos apaixonarmos, sempre.

Lays Silva

A tua presença

Depois de você as festas não têm mais o mesmo sabor, as noites não têm mais o mesmo ar, o amanhecer não é mais vazio, a longa caminhada tem um final, as atitudes não são mais as mesmas, o comportamento, o modo de vestir e de falar.
Depois de você a vida teve mais graça, o canto pássaros começaram a soar de uma forma diferente, o sol batendo em minha pele começou a ter lógica.
Depois de você, a vida não é mais a mesma, tudo passou a ter um sentido único: a tua presença.

Lays Silva

Amor bobo...

Chorar pra mim é quando aquele amor gostoso, aquele amor que te fazia sorrir vai embora.
Não embora do peito, mas embora das mãos, embora dos lábios, embora do toque.
De que adianta amar sem sentir o afago quente no abraço, a mão na cintura, o aperto na nuca, o arrepio da mordida na orelha?
Só restam as lágrimas, só fica o aperto, o choro recolhido atrás da porta pra ninguém ver, a fungada de nariz baixinha pra ninguém zombar desse seu amor bobo.
Bobo nada!
Não está nas mãos, mas ainda vive no coração, na mente, se sente ainda o cheiro, a mordida na nuca, o toque dos lábios, a mão respeitosa no joelho, o beijo na testa.
E o choro vem e as lágrimas percorrem pela lembrança e vai levando aos poucos tudo que aquele amor gostoso deixou pra trás.

Lays Silva

Novas flores

Embora eu pudesse anular todas as lembranças daquele momento em que vivi, elas insistem em aparecer.
Assim acredito na força de Deus.
Força suprema que me faz relembrar todos os momentos que penso em tirar da cabeça...
O amor é algo que se planta, que se colhe...
Uma flor foi plantada, cultivada, regada e murchou, mas mesmo murcha, podemos guardá-la dentro do mais precioso livro e toda vez que abri-lo, lembrará de como a plantou, como a regou, como teve cuidados, de todos os passos que a fizeram murchar.
Ela vai estar sempre ali, independente dos anos.
Novas flores surgirão.
Bem mais belas, mais coloridas, mais agradáveis vistas aos nossos olhos, mas aquela murcha sempre lhe trará a melhor lembrança: da primeira flor cultivada, com a nossa mais força de viver.

Lays Silva

Amar não signfica nada

E é nessas horas que a gente percebe o quanto é importante o nosso coração, os nossos sentimentos.
Por mais que demos eles para alguém, isso não significa nada.
Dar amor não significa nada porque depois os perdemos e no final, ninguém se importará com isso.
Amar não significa nada.
Sentimos que amamos alguém, mas nunca iremos saber se somos amados.
E não sabendo, perdemos tudo num tombo só.
Tombo que nos faz sofrer, que nos faz chorar e ver novamente que dar amor não significa nada.
Esse é o preço que pagamos por sermos humanos e terem nos ensinado a amar e respeitar as pessoas.
Todo ser humano deveria nascer com uma plaquinha "Esse, no futuro, não dará valor a VOCÊ" e assim economizaríamos lágrimas, tempo, sofrimento, dinheiro e principalmente AMOR.
Sabemos que temos amor pra dar e vender, que há para todos, blábláblá, mas economizá-lo nos faz muito bem.

Lays Silva

Ninguém é substituível

Transforme a tristeza em ódio e faça das suas decepções um motivo para ser mais feliz.
Você não tem culpa do que as pessoas não enxergam.
Você não tem culpa das pessoas não terem aptidão de saber enxergar o que só você consegue ver: o que há dentro de nós mesmos.
O mal da humanidade é achar que o humano é substituível.
Ninguém é substituível.
VOCÊ sempre se arrependerá pelas escolhas que fez, sendo elas boas ou ruim, você se arrependerá.
Decidir seguir um caminho na vida nos dá 50% de chance de dar certo ou errado.
Escolha com serenidade e pese o que te faz feliz.
Tente enxergar o que há por dentro das pessoas e o quão elas fazem bem para você.
Não há felicidade maior do que olhar para o lado e dizer: fiz a escolha certa.
Não existe coisa pior do mundo do que olhar para si mesmo e dizer: Por que fiz isso?
Por mais que seja impossível, tente olhar o que as pessoas fazem por você.
Você não mudará o mundo, você não mudará a sua vida sozinho.
Elas fazem parte, querendo ou não.
Tentar controlar a mente nos torna máquinas incapazes de distinguir o certo do errado fazendo com que nossas decisões se tornem vagas e incompletas.
A vida é incompleta.
Ninguém é satisfeito com o que tem.
Procuram sempre algo melhor daquilo que já tem.
Mas o que você tem é o que te faz sorrir toda manhã e depois e depois.
Perca oportunidades surpreendentes que o farão jogar tudo pro alto.
Elas são mais traiçoeiras que o Diabo.
São como propagandas do Polishop na tv.
Tentadoras aos nossos olhos que nos fazem trocar a Phillips pela Supertecnopower porque ela parece mais bonita e interessante do que a convencional e clássica.
Não tem direito a troca.
Mas se quiser de volta, não será tão fácil e o preço será um pouco mais salgado.

Lays Silva

Amor "bom dia"

Amar alguém que não te corresponde é o mesmo que jogar uma pedra preciosa no precipício.
Ele não vai te mandar outra de presente e logo depois você se arrependerá muito de ter jogado o bem mais precioso que a você pertencia em um buraco sem volta.
Eu me arrependi, e qualquer ser humano se arrependerá um dia.
Este século é o dos des-amados.
Deixaram de acreditar no amor para levar em conta o banal e sem emoção.
Amores surgem a cada semana. "Te amo" é um bom dia e para o casamento basta estar vivo.
Esqueceram das regras quadradas e retrógradas do conhecimento, da aproximação, do gostar, do amar.
Não deu certo?
Pelo menos houve a tentativa.
Eu busco um amor retrógrado e quadrado.
Eu busco um amor de conhecimento, aproximação, gostar e amar mútuo.
Eu busco amar alguém que não me deixe por um amor "bom dia"... Fracos não são os que amam e sim, aqueles que não sabem amar.
O defeito dos serem modernos é acharem que encontram amor em qualquer esquina.
Ah! Se eles soubesse como é raro um amor verdadeiro.
Não deixariam escapar pelas mãos o que Deus somente queria que nós fizéssemos: amarmos-nos e nos respeitarmos eternamente.

Lays Silva

Enquanto estive em Sampa...

Amigo saudade tu!
Por onde andas
O que mandas
Pra este do pajeu

Noticias distantes
Espero logo receber
Poemas gigantes
Poderemos escrever

Deixo um abraço
Um verso quebrado
Pintura em traço

Também lembranças
Em verso metrificado
No tom da esperança!

Fica na Paz de Deus poeta!

de Jadson Lima

domingo, 13 de setembro de 2009

Cálice

Cálice
Composição: Chico Buarque e Gilberto Gil

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade...

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue...

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cálice!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cálice!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cálice!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cálice!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cálice!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cálice!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cálice!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cálice!)

de Chico Buarque

sábado, 12 de setembro de 2009

'O nordeste precisa urgentemente, De trabalho, justiça e educação.'

O nordeste perdeu milhões de filhos
Desabaram sem pátria e sem família
Pra o Rio, pra São Paulo, pra Brasília
Como eternos ciganos andarilhos
Muitos deles, paupérrimos, maltrapilhos
E se voltarem para cá padecerão
Que o nordeste inda tem fome e verão
Da maneira como tinha antigamente
'O nordeste precisa urgentemente,
De trabalho, justiça e educação'.

Quando um dia houver justiça cá
Que seus frutos para todos derem suco
Nunca mais ninguém deixa Pernambuco
Paraíba, Rio Grande, ou Ceará...
Nunca mais, nordestino vai pra lá.
Trabalhar sendo escravo de um patrão
Que não trata operário como gente
'O nordeste precisa urgentemente,
De trabalho, justiça e educação.'

Pedro Tunú

Modifiquei do mote original: 'O nordeste precisa urgentemente, de trabalho, justiça, terra e pão. '

Acredito, por exemplificar, que educação nos moldes idealizados pelo Pedagogo e grande Pensador Social Paulo Freire, se implementadas para por em prática a liberdade de pensamento traz para nossa gente o poder de um compreender-se cidadão e exigir direitos ainda enquanto há chuvas no nordeste e as águas correm nos rios e há fartura, pois é durante a estiagem, certa e periódica, que políticos vem com carros pipas de 'salvadores da pátria', com dinheiro público ou privado, abastecer cisternas, entre outros favores e dali angariar votos e manter a 'Indústria da Seca'...

Na cidade citada recentemente em reportagem da Rede Globo, dia 9 de março de 2009, em comemoração aos seus 100 anos, minha cidade natal, São José do Egito, berço imortal da poesia, que é também um centro cultural e comercial de grande importância na microrregião do Pajeú e Cariri há um grande vácuo no que se refere a educação superior e cursos técnicos.

Seria importantíssimo a implementação de uma universidade ou curso de extensão técnica para prover aos milhares de estudantes secundaristas da região meios de obter um ofício sem a necessidade de se deslocar para grandes centros urbanos, por ser uma região pobre e impossibilitar milhares de estudantes de ter uma profissão e prosseguir seus estudos por falta de condições econômicas, considerando que a maior parte da população desses municípios são filhos de agricultores ou pequenos comerciantes.

Uns poucos, com muita luta, conseguem estudo superior e os que retornam trazem grandes benefícios às suas cidades, conhecimento. Voltam dentistas, professores qualificados, agrônomos, veterinários, advogados, engenheiros, médicos, apenas para citar algumas profissões.

As prefeituras do sertão nordestino, em sua maioria, com algumas raríssimas exceções, dependem quase que exclusivamente do FPM - Fundo de Participação Municipal e o Ensino Superior por ser uma espécie de obrigação direta do Governo Federal, isenta os prefeitos de qualquer responsabilidade no sentido de prover ajuda aos estudantes que terminam o estudo secundário e pretendem obter um curso profissionalizante ou superior e mesmo que quisessem, teriam muitas barreiras jurídicas a romper junto aos Tribunais de Contas e ainda não atenderiam a todos por não ter recursos para atender a demanda.

A solução é viável e urgente aos olhos de muitos empresários a instalação de um centro de educação técnica e ensino superior na cidade de São José do Egito. Há local, cursos já autorizados pelo MEC para funcionar, corpo docente suficiente para formar uma faculdade e demanda, falta um pouco de bom senso e um grito contra o descaso.

Uma palavra dita.

Pedro Torres

[Estações - Verão]

Sertão que se via em rios d'águas correntes
Ora recipientes aguardando as esmolas líquidas
Que antes divinais bênçãos fluviais gratuitas
Ora ideais receptáculos de preciosacidades do soberano!

Do arreliado rei sem trono, ou nele sempre...
Do nada, o que obras nesta Terra serias dono
Pois, nada que existiria cá seria tão abandono
E se distribuir Talentos é a tarefa do Criador Uno

Eia que o cobre oxida, e nada culpa o oxigênio!
Nem o elemento que alimenta o organismo vivo...
Em se transportar perene de vida por entre artérias,
Veios de amor, eras de esperar, entregue as matérias!

Em tantos sóis veres um só verão
E na saudade, estar noutro só serão
Daquela tempestade desconcerta na estação..
E em corações por instantes aflitos e sós.

E em nós, que nos danamos em pensares
E penares, dos temporais fora de hora
E diurnos, que causticaram de doer,
De cansaço, vazio e frio e solidão...

Da insônia bendita que chega,
Bem na imprópria hora da dor...
Quando menos se esquecia do amor,
Da água fresca que queima e arde!

Ái, da língua de quem disse o oposto!
Pária, pois não provou do mesmo gosto!
Tarde, daquela manhã que anoiteceu depressa
Daquilo que calamos a apressar-nos em pulsos pares.

E o cartaz que fotografei antes de o trem chegar.
A dizer-me que o amor retira de nós antes o fôlego,
E arranca de nós, depois, completamente o juízo...
E à mágica de um sorriso estranho restou-me:

Em uma lágrima contemporânea banhar o chão
Seco, sedento de beijos e de soluçares
Inda resta reencontrarmos, uma saudação.
E, quem sabe antes, um muito simples abraço...

E, um "eu te amo mais..."

Pedro Torres

sábado, 15 de agosto de 2009

Tão

Deuses vossos mandem-me a cura para a saudade
Que o meu mandou-me apenas ela e à cidade

Sejais piedosos com quem não conhece a verdade
Inda que tudo seja metade de uma vã vaidade

E, sobretudo juramos de tudo ser do todo metade
Ter acontecido seria uma estúpida chegada e partida
Embora de ambas as partes seja a partida mais doída
E que descubra de realizar a nossa jura de felicidade

Distantes do frio que nos aquecíamos sob o luar
Que só nos vestia aquele lençol da noite escurinha
Minha honra é tua e a tua honra é minha, sozinha
Ora um segredo: Estou "Sem Nome" e vou abanar...

Pedro Torres

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Nominada Cecília Meireles

"Eu canto porque o instante existe / e a minha vida está completa / Não sou alegre nem sou triste: / Sou poeta..."

Cecília Meireles

Do Avesso

O avesso é o circunflexo, nada além do ponto de partida.

Aquela velha verdade absoluta do início, do caos, do absurdo, do espanto, da ignorância....

Um todo que a partir deste indeterminado ponto referencial gera a grande descoberta de que tudo isso não passa de uma  insatisfação covarde, imposta por uma horda de escrúpulos duvidosos, seu mero desprazer.

Todavia, alheios, e, não devaneios de mentes ensandecidas. Ou estaríam todas as coisas ainda esperando o mesmo trem em outra estação!

Pedro Torres

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pranto Meu

Você nem sabe o que se passa em mim
Quando destino meu olhar ao teu.
A amargura corrói a candura
Que ainda existe neste peito meu.

Você insiste em colocar um fim
Faz o meu sonho aos poucos dissipar
E eu vejo o mal que fiz ao meu jardim
Quando em teu beijo fui me embriagar.

Não quero ver-te linda criatura
Inerte fico em volta da doçura
Do teu sorriso foge o riso meu.

Não quero ver-te doce criatura
Tua alegria a minha desfigura
E abraça ainda mais o pranto meu.

Josimar Matos / Márcio Rocha

Imaterialidade

Mil borboletas celestiais
Povoam o UNIVERSO,
Materializam-se, tocam clarins.
Suas asas coloridas
Aparecem reluzentes,
Irradiando os tons da natureza,
Onde predomina
Um azul decomposto
Pela luz solar
E inebriam...
Sao ANJOS da paisagem,
Voam velozmente
E sigo-as com o olhar,
Rapidamente.
Caminho e conduzo-me mata a dentro,
Penetro no reino dos deuses,
Onde abriga a inteligencia nascente.
Estou numa mata ainda virgem,
Que esconde encantos e mistérios
Em suas entranhas.
Ocultam Fadas, Silfos, Floros,
Dríades, Homúnculos, Elfos,
Duendes e Gnomos.
Habitam o seio da natureza.
Percebo o CERNE da vida.
Vejo fungos perdidos.
Mitos e lendas confundem-me,
Mas amplio os meus poderes
Da visao e audiçao.
Alcanço assim o véu da matéria.
As Nereidas e Ondinas
Sao femininas figuras.
Torno-me Arcanjo solar.
Porém grotescas figuras humanas
Aparecem desfilando por mim.
Percebo que nao sou ANJO, nem DEUS, sem sonho.
Sou homem, só,
Errante como todos
Os homens...

Josimar Matos

Libertário

Preciso libertar esta dor que trava o peito
Caminhando no deserto da saudade.
Vou encontrar a imortalidade do poeta
Soltando meus versos de outrora.

Na loucura do anseio profundo e noturno,
Vou sentir o aroma de pétalas desfolhadas.
Despindo os olhos verei telas brancas.
Ausente estará meu coração ao chegar o momento do partir.

Sem perder o medo de perder-te
Irei mais uma vez aprisionar teu “Ego”, e então,
No silêncio dos meus delírios absorverei o tédio,
E verei estrelas em teu olhar.

Na candura dos momentos que me consomem
Decifrarei a tua decisão ou não,
De ficar ou partir sem piedade.
Aí serei apenas ausência, cansaço e sonhos.

Josimar Matos

Aprisionamento

(Fuga Breve)


Já não consigo mais disfarçar e nem ocultar
A prisão que há em meu corpo insaciado.
Não pretendo mais ofuscar meu olhar no teu,
Nem calar a voz que de mim emana a ti,
Dependo da tua presença que nunca vem.

É muito deprimente ter de conviver numa angústia
Onde somos cárceres um do outro,
Somente tendo a certeza da prisão sentenciada
Numa loucura de confusões e fugas constantes.
Não somos mais nem a sombra do ontem.

O deserto em meu peito mostra claramente
Que a lacuna do amar nunca mais será preenchida.
Seremos apenas lembranças e desejos vis,
Nesta breve insanidade de seres,
Que nunca souberam realmente amar.

Josimar Matos

Portais do pensar

Mesmo que tranque
Os portais do mundo
Não vislumbrando
O crepúsculo das
Tenças auroras,
Vou rompendo prantos.

Descerei numa fingida
Indiferença de cânticos,
Até que teu corpo
Rompa arfante e belo,
Pela vereda iluminada
Dos teus flancos aparentes.

Transvisto o anjo obsceno
Mergulhando no ofício do ímpio.
Disperso um pensar, um olhar, um gesto.
Sou reverso do que já fui e não sou mais.
Meu corpo é uma ruína do passado, sem beleza,
Acobertando uma ardente ousadia.

Minha silhueta e a tua se confundem,
Num turbilhão de sons e sombras.
És a fêmea da cultivada alegria carnal;
Sou o macho singular tangendo êxtases.
Debruçado na ânsia de uma agonia
Vou profanando tuas entranhas.

Meu conflito é eterno,
Pois não consigo expulsar a volúpia.
Sou o fracasso aniquilado
Sem sonhos ou rebeliões,
Num ritual de esquecimento,
Condenando a grotesca máscara do ser.

Josimar matos

Tuparetama

Tuparetama que encanta
Aos que pisam no seu chão...
Pela beleza do povo,
Por sua organização.
Não atoa que é chamada:
Princesinha do Sertão.

Tuparetama Suave
Feito balanço de rede;
Tuparetama dos Versos
Estampados na parede...
Quem tiver sede de versos,
Chegando lá, mata a sede.

Tuparetama dos vários
Quebra-molas no caminho,
Que servem pros visitantes
Passarem devagarinho,
Como quem diz a quem passa:
Fique mais um bocadinho!

Tuparetama pequena,
Pequena, porém formosa.
Que no meio do Sertão
Se exibe sempre orgulhosa...
Se o Sertão fosse um buquê,
Tuparetama era a rosa!

Minha singela homenagem a esta cidade que sempre me acolhe tão bem,

Vinícius Gregório

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

À sombra da ninfa

À sombra dessa ninfa

Neste meu poesia tudo vai
À sátira dum poeta do mar
Da diva do meu dolorido ai

Da angústia inda verdade,
De o resto ferir-lhe o corte
Vai tudo, exceto a vaidade!

Frescor da brisa suave, a sorte,
Que debaixo dessa sombra tem
E o cheiro do sândalo que sangra..

É o sentir-se agasalhado ao frio
O intenso fio de rio, de um amor
O presumir-se da verdadeira flor...

Não se presentear perfumes
Às ninfas já perfumadas, oras,
É cortês, pois, saberias disso!

As encontrarias banhadas
Vez por flores confundidas
Que até o sol lhes pareceria sopesar...

As mãos replenas de só ternura
De tantas candeias em sua face
E sorrisos de verdadeira criatura.

Diz-me minha deusa, a mim
Que mereço de ti um afago, e
À tua sombra, dum regozijo...

Viver, embora reles mortal
À debicar do teu ar angelical
Morrer então feliz lá no final...

Seria como no sonho que não tive
Mas quem dera, a este ser profano
Não fosse quimera, ser tão humano!

Ter-te-ia, à fazer-me sombra um dia...
E quem sabe, comporia uma linda canção
Ao som de harpas, uma bela melodia...

Ousadia da minha parte, perdão!
Causar-te um tal disparate
Dizer de outra coisa bela,

Senão, somente tu, que és poesia
Pura e casta, das comoventes Árias.
Das cordas enternecidas, ao tocarem para ti.

Ao trinar da mais comovente lira,
Que o poeta ao derramar das suas lágrimas,
Enferrujara as cordas, que se arrebentaram no final...

Pedro Torres

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Um só teto

Só te tenho
Porque fui sempre sua
Te retrato quando me expresso ao ponto
Mau passado, em branco
Te garanto refúgio
Te dou abrigo certo!

Desalmados de perto,
Destino incerto
Tão longe a se cantar
de perto, só olhar...

Encanto de traços,
Conhecidos laços
Que desatam os nós
Que em nós estão a engasgar!

Fernanda Arruda

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pombo Correio - Sebastião Dias

Pra você segunda-feira
Eu servirei de correio
Quem tiver cartas escreva
Que levo um malote cheio
Com lágrimas de quem não foi
E lembranças de quem não veio

Sebastião Dias

Ósculos e Amplexos

Trocando idéias com o Mestre da poesia Maviael melo, que recebeo o mote do Poeta Galdêncio de Sertania, debulhou essa coisa linda:
Os sábios de coração
Tem poder na natureza

E entoando a canção
Num vôo de passarinho
O tempo tece seu linho
Quando acaba o verão
Os sábios de coração
Não precisam de riqueza
Verdade posta na mesa
Isso é sabedoria
Um grande sábio nos guia
Com o poder da Natureza

Maviael Melo (Salve, Salvador!)

Ainda meio tímido no estilo, arrisquei esse 10 linhas:

No pinho do violão
Eu toco uma cantiga
E trago a mão amiga
Do caboclo do sertão
O sábio de coração
Traz o pobre à realeza
Numa sutil singeleza
De uma bela poesia
Aquecendo a noite fria
Com o poder da Natureza

Pedro Torres (Ave, Pajeú)

Ingratidão

E toda aquela paixão
Que acabou de repente
Me declarei novamente
Só que recebi um não
O meu simples coração
Não sente o que sentia
A boca que mais beijei
Hoje me nega um bom dia

Iago Tales

Abandono

Não quero mais o teu amor, perjura
Não me seduzas, coração fingido
Repara, vê como eu estou ferido
Por teu sorriso de voraz ternura

És como a cobra ao sentir bravura
Das criaturas que já tem mordido
Em teu espírito há um mal contido
Pra teu veneno não existe cura

Foge pra longe com os teus encantos
Enxuga noutro teus malditos prantos
Não me atormente com teus falsos ‘ais’

Esquece os tempos que jamais revivem
Deixa eu viver como as aves vivem
Por minha vida não pergunte mais.

Cancão

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Das uvas



Néctares fermentados de um pisoteado ledo
Dumas donzelas belas, alvas e pés desnudos...
À formar um vinho de paladar inigualável.

Então bebi dele, e tudo me embriagaram, que
Acreditaram em todo que acorrentado ia-se
Em mim, por cada trago das taças cristalinas

Devera eu, pois, ter nascido então mais cedo
E não doído daqueles chulés, de doce cheiro
E impiamente nutrir-me desse vil sentimento

Ah! Maldita sentença dessa vida é o tempo
Escolhido por quem não ama por completo
A demasiada angústia contida no concreto.

Que acode o desvalido ao quedar-se ébrio
E, após, devolve-lhe à mesma medida forte
E certa misericórdia de dor até lhe acolhe.

Que diriam as tuas papilas se soubessem,
Que as minhas já se abandonaram à sorte
Deste infortúnio de ser-te fiel até a morte

Por não poder adorar-te, uva, da tua boca
Restam somente as lembranças infelizes
De uma tempestade conduzindo o poeta

Ao vinhedo noturno à cata dela, parreira,
Que emprestara aquela exata ainda uva
E rogar ao meu Senhor fazei-me: o fruto!

Mesmo que um dia tudo em si se iniciara
Ah! Viver doravante como reles migalha
De algo que vinha antes deste teu ofício.

Pedro Torres

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu Tenho Medo

Eu Tenho Medo

Me envergonho em dizer, mas tenho medo
Medo esse de amar-te loucamente
De jurar-te um amor eternamente
E depois não saber pra quem jurei
Tenho medo sim, medo de mim mesmo
De me iludir e caminhar a esmo
Sendo rejeitado por quem tanto amei
Tenho medo de amar o inexistente
E que você seja mais uma ilusão
Um produto irreal de ficção
Projetado na mente de um poeta.
Perdi o controle Ó querubim!
Pois essa dúvida que brotou em mim
Me angustia e me desconcerta
Se quiseres esnoba essa paixão
Põe em dúvida também minha existência
Mas coloca tua mão na consciência
Para não nos causar inda mais dor
Duvida sim, do meu eu, do meu falar...
Só não ouse jamais a duvidar
Algum dia se quer do meu AMOR!

Welton Melo

domingo, 2 de agosto de 2009

Um repente de Valdir Teles...

Valdir Teles, cantando ontem, 01/08/09, com Geraldo Amãncio no Sítio Grossos, de São José do Egito, no tema: MINHA INFÂNCIA NO SERTÃO, saiu-se com essa obra prima:

Pai vinha de São José
Com uma bolsa na mão
Minha mãe abria a bolsa
Me dava a banda de um pão
Porque se desse o pão todo
Faltava pro meu irmão

Poeta Valdir Teles

Enviado para mim pelo Poeta Glaubênio Teles, filho do cantador de viola repentista, hoje fincado no Estado do Pará, donde lhe esmaga o coração a saudade de sua terrinha.

Muito obrigado poeta, pela generosidade com que nos presenteias com essa obra prima do mestre da cantoria de viola nordestina que é o teu pai Valdir Teles.

És poeta que honra a verve desse aedo, daí distante, abrindo veredas sem medo.

Parabéns e que Deus te ilumine, guarde e guie divinamente!

Pedro Torres

sábado, 1 de agosto de 2009

Perfeição

Perfeição
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar eros e thanatos
Persephone e hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

Poeta Renato Manfredini Jr.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Poeta Dimas Batista

Deus vê do céu bem visíveis
Nossos íntimos dilemas
Pra ele não tem problemas
De soluções impossíveis
Desde que são infalíveis
Os atos do grande ser
Todos têm que obedecer
Rico, pobre, bom ou mau
Não cai a folha de um pau
Sem nosso Deus não querer

x

Fraqueza da humanidade
Alguém dirá, mas não é
Diz a tradição até
Jesus chorou de saudade
Seu coração de bondade
Da Virgem se despedia
Chorava olhando a Maria
Do Horto da Oliveira
A saudade é Companheira
De que não tem companhia

x

Os carinhos de mãe, estremecida.
Os brinquedos do tempo de criança
O sorriso fugaz de uma esperança
A primeira ilusão de nossa vida.
Um adeus que se dá por despedida
O desprezo que a gente não merece
O delírio da lágrima que desce
Nos momentos de angústia e de desgraça
Passa tudo na vida, tudo passa,
Mas nem tudo que passa a gente esquece*

Poeta Dimas Batista
*Mote da poetisa Das Neves Marinho

Marinheiro

Eu combali com a saudade
E decidi singrar os mares
Em busca de um amor perdido

Acabei à nau, perdido
Em mares muito revoltos
Envolto em meus penares

Abaixei as velas, larguei o leme do barco
Entreguei nas mãos de Deus o meu destino
Que guiou esse poeta parco.

Já me via em perfeito desatino
Bem no meio do desmedido oceano
Quando Ele traçou pra mim um plano...

Fez do céu a grande cena
E da minha língua a pena
Na grande Tranquilidade.

Tomado de ar bravio
Encontrei na poesia o fio
Da minha felicidade!

E me apontou a claridade.
Fugir da saudade é besteira
Que o amor nunca tem fim.
É a esperança derradeira.

Há quem conte d'outra maneira
Que a saudade é a companheira
Mais fiel nas horas de amargura.
Inda há quem diga que foi assim:

Que tudo ficou pra depois.
Que tudo isso é verdade
"E na história bonita de nós dois
No final, quem venceu foi a saudade..."

Pedro Torres